Especial de Halloween - Sadako(s)


SeventyFive

Especial de Halloween 2016

* Sadako(s) *

por 北京玫瑰

 

Estamos no Halloween, qual melhor altura que esta para celebrar uma das personagens mais influentes do género de terror dos últimos 20 anos? (A resposta não é O-Bon.)

 

“Toda” a gente conhece, nem que seja graças ao ataque de marketing a que “The Ring” por Gore Verbinski teve direito quando foi lançado em 2002: assistes uma k7 amaldiçoada, tens 7 dias para viver, até lá desenrasca-te. Essa foi já a premissa da obra que deu origem a tudo, "Ringu", por Suzuki Koji, publicada originalmente em 1991. É a partir daí que a maioria das adaptações começam, com destinos muitas vezes diferentes dependo de qual “Sadako” é a antagonista. Se nunca viram nenhum dos filmes e têm curiosidade, podem ler este artigo como um pequeno guia sobre a personagem e as diferentes adaptações ao grande (e pequeno) ecrã.

 

Yamamura Sadako, Samara Morgan e Park Eun-Suh não são nomes diferentes para a mesma personagem, são nomes para (mais de) três mulheres diferentes que foram atiradas para dentro de um poço e condensaram os seus pensamentos vingativos numa cassete VHS. Mais de três personagens para três nomes porque, na verdade, existem quatro personagens depois do "Sadako vs Kayako" deste ano (que foi inclusivamente exibido no Motel X).

 

Geralmente fiel à personagem original dos romances, temos Yamamura Sadako, dos filmes Ringu: Kanzenban (Japão, 1995), Rasen (Japão, 1998), Sadako 3D (Japão, 2012) e Sadako 3D 2 (Japão, 2013). Ainda como Yamamura Sadako, os doramas Ringu: Saishuushou (Japão, 1999), Rasen"(Japão, 1999) e Park Eun-Suh do filme Ring: Virus (Coreia do Sul, 1999), que apesar do seu filme se passar na Coreia do Sul e da própria ser coreana, é essencialmente a mesma personagem com a mesma história de origem num local diferente. São em geral produções de menor qualidade, não só em termos da qualidade intrínseca das produções (se me perguntarem, os doramas são de longe as adaptações mais agradáveis), mas também em termos de valores de produção. São também prejudicados pela desconexão que existe entre eles. Não existe uma adaptação da terceira novela “Loop”, e enquanto "Kanzenban" e "Rasen" são relativamente fiéis à fonte (não entrando em discussões sobre a qualidade, ou falta dela, das novelas e ou adaptações), se alguém assistir a estes filmes e de seguida assistir a "Sadako 3D" (que tecnicamente é a sequela do "Rasen" na cronologia destes filmes), vai ficar completamente perdido - porque "Loop" é essencial para compreender o universo no qual estes filmes se passam.

 

"Sadako 3D" e a sua sequela são adaptados da novela “S” que foi publicada em 2012, também por Koji Suzuki, ora, eu pessoalmente ainda não li “S”, mas li as primeiras 3 novelas, saber o que se passou em “Loop” não torna “Sadako 3D” (e muito menos “Sadako 3D 2”) particularmente melhor, mas torna-o um pouco mais digestível. Escusado será dizer que não recomendo particularmente estes filmes a ninguém, a não ser que seja maluquinho como eu por ver tudo (e não se sentam ofendidos pela Sadako cabra porque gostam tanto da do Nakata!). Ahm, e quiserem ver peitos e cenas, “Ringu: Kanzenban”.

 

No previamente mencionado "Sadako vs Kayako" (Japão, 2016) tivemos uma nova aparição do nosso fantasma favorito. Neste filme, fiel à “grandiosa” tradição dos VS, Sadako está desprovida da sua história ou personalidade, sendo apenas um monstro. Eu sei que soa mal, mas a execução é bastante boa tendo em conta a premissa deste filme, ou não fosse isto realizado pelo grande Shimizu Takashi (o qual desde já aproveito para recomendar a qualquer entusiasta do horror genre a sua filmografia, em especial “Noroi”).

 

Nascida na terra da liberdade, Samara Morgan, protagonista de The Ring (USA, 2002) e The Ring 2 (USA, 2005), e quem sabe, "Rings" (USA, 2017) é a próxima menina do poço. Literalmente uma menina, ao contrário de todas as outras, Samara é uma criança. Talvez os senhores de Hollywood acham que uma menina de 8 anos mete mais medo que uma rapariga? Além de que ela em geral está toda porca e desfigura literalmente a cara das vitimas, não apenas a expressão. Já mencionei que o mundo é todo esverdeado? Não sei é se isso é efeito da Samara.

 

Por fim, aquela que talvez muitos pensam ser a original, mas que na verdade não tem assim tanto a haver com a “verdadeira” original, Yamamura Sadako de Ringu (Japão, 1998), Ringu 2 (Japão, 1999) e Ringu 0: Baasudei (Japão, 2000). É também curiosamente de longe a melhor personagem! Porquê? Assistam os 3 filmes, não apenas o primeiro e especialmente o 0, que basicamente sublinha os subentendidos do "Ringu 2". A ordem para assistir é sem dúvida 1 > 2 > 0, e apesar do melhor filme, “o verdadeiro clássico", ser o primeiro filme por Nakata Hideo, tenho de dizer que tenho um fraquinho pelo Ringu 0…

 

“Ringu” de Nakata é aquele que eu chamaria de o litmus test para interesse em qualquer um dos outros filmes. Se alguém assistir e não achar particularmente bom, pode ficar por aí, não há nada de muito mais interessante para encontrar. Se gostar, siga em frente, é possível que goste de qualquer uma das outras versões.

 

A rapariga do poço vem com aparência semelhante, mas sabores bastante diferentes, ela vai colocar a tua vida em contrarrelógio… Tens o que é preciso para escapar? 

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